TENSÃO

Noite apreensiva.
Nuvens carregadas embaçam o céu,
escondem a lua e as estrelas.
Sopra um vento forte
a curvar as árvores,
a assustar as aves.

Noite de encontro das nuvens com a Terra.
Descargas elétricas,
relâmpagos,
trovões,
luz intensa de raios.

Noite em que a atmosfera, de repente,
numa reação violenta,
deixa a chuva cair a vontade:
TEMPESTADE.

Noites assim,
são noites de tempestade
também, em mim.

FELIZ COINCIDÊNCIA

Sempre gostei de ler, de me inteirar com as notícias do mundo e dos homens, da vida, em geral.
A literatura sempre me atraiu.
Nesta fase da vida, então, tem sido um alimento para minha alma.

Fiquei contente ao abrir a revista “VIDA SIMPLES,” deste mês, (fevereiro) e ler o que escreveu Eugênio Mussak em sua coluna, sob o título INTERDEPENDÊNCIA. Diz ele: “Entender a teia da vida, as relações de causalidade, a interdependência dos homens entre si, com a sociedade e com a natureza e’ mais que cultura geral, e’ consciência, abertura da mente e lucidez.” E vai além.
Belíssimo texto.
Diz tudo – em linhas gerais – o que eu quis aprender, desde cedo, ao andar sempre às voltas com as letras.

Mas não é fácil atingir a cultura geral de Eugênio Mussak.

Estou feliz em saber, mesmo por acaso, que nos identificamos nestas “visões de mundo.” É algo que me impõe o dever de maiores pesquisas.

CRER E OUSAR

O pássaro faz voos constantes sobre a varanda do meu quarto. Chama-me a atenção por ser pequenino, rápido e persistente.
O pássaro tem sede e busca, até conseguir, os pingos do ar condicionado.
O fato fez-me pensar que, na persistência está o segredo da conquista.

Nas nossas procuras também temos sede. Sede de encontrar, sede de entender as causas e os efeitos de tudo. O que nos falta é crer que somos capazes de encontrar o que buscamos. Temos medo de ousar e travamos nossas buscas, retardamos nossas conquistas.
O pássaro ousou, mas tinha certeza que alcançaria o seu alvo, confiava nas suas asas.
Todos temos possibilidade de êxito se cremos em nós.

RECEIO E ESPERANÇA

Inicia-se 2015, o ano temido por todos nós.

Mas, se há receio, também há esperança, esse milagre que nos faz

seguir mesmo quando o horizonte está nebuloso.

A esperança nos leva a buscar o desconhecido e nos encoraja a novas

conquistas. Mas, só a esperança não basta. Precisamos de atitudes que

nos façam merecedores dos nossos objetivos. O campo de ação que temos

nesse sentido é vasto. Somos uma multiplicidade de seres racionais e

irracionais que habitamos este planeta. A nosso lado sempre estará o outro

a precisar de auxílio. Todos temos diferenças a serem compreendidas.

Mas, as dessemelhanças entre os seres devem ser vistas como riquezas

culturais e não como motivos para confrontos entre os homens.

Cada povo, sabemos, tende a preservar sua raça, suas crenças,

seus hábitos, seus valores.

Mas, o mundo atual assusta. Todos estamos perplexos diante dos últimos

acontecimentos. O medo pode nos afastar do outro e são muitos os

que necessitam de ajuda. Alguns, mutilados no corpo e na alma, totalmente

incapazes. Outros, capazes de tudo. Mas, “somos o que fazemos,

principalmente o que fazemos para mudar o que somos,” diz o escritor

uruguaio Eduardo Galeano.

Neste ano, façamos o propósito de ajudar mais. Dentro de nós

encontraremos os meios mais fáceis para este fim. Os homens e,

consequentemente, o mundo, mudarão para melhor.

E os efeitos de 2015 serão mais suaves.

Boa sorte !

Sempre ser mais

Ouvi que o envelhecer é o inverno da vida.

Mas, por algum tempo esqueci de mim.

Quem sabe, fui um grão de areia das dunas do tempo,

uma gota do oceano da vida,

uma folha caída em plena primavera,

quando deveria ter aproveitado o brotar da vida e da esperança

para ser a duna ou o oceano.

Teria sido mais suave o meu verão,

Menos triste o meu outono,

Mais alegre o meu inverno.

Ousadia

De repente, rompem-se as correntes

que prendem a verdade.

O irreal é feito de elos desconexos,

frágeis,

dissolúveis.

É preciso quebrar as algemas que nos prendem a nós

e, com obstinação, ir além,

renunciar desejos de vivificar coisas mortas,

de unir fragmentos,

de exigir respostas.

É preciso ousar,

ir, sem saber aonde,

simplesmente voar

como faz a gaivota

rumo ao infinito do mar.

Ambiguidades

A última estação da vida é

cinza, sombria e fria como

a última estação do ano.

Enfim, o inverno.

Um tempo dúbio,

necessariamente estável,

naturalmente fugaz.

Sombrio, torna-se ardente,

de repente.

Austero, comove com lembranças

de particularidades perdidas

num passado morto.

Célere rumo ao futuro amedronta

e conforta com a realidade do presente:

as turbulências de momentos singulares

e a fragilidade que se faz força,

necessariamente.

É um tempo inevitável,

irremediavelmente dúbio,

amável e violento,

de coragem e medo,

de frio, calmaria e vento.